Novo desdobramento revelado nesta quarta-feira amplia repercussão de investigação sobre contratos de máquinas e infraestrutura; Prefeitura decidiu não renovar acordo de R$ 26,5 milhões e determinou abertura de nova licitação

Três Lagoas (MS), 19 de agosto de 2026 — A investigação sobre possíveis irregularidades em contratos públicos da Prefeitura de Três Lagoas ganhou novo desdobramento nesta quarta-feira (19). Um empresário apontado como alvo da Operação Máquinas de Areia teve aproximadamente R$ 2,5 milhões em veículos bloqueados por determinação judicial, segundo informações publicadas pelo Midiamax. A medida ocorre dentro da apuração conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que investiga suspeitas envolvendo contratos de locação e fornecimento de veículos, máquinas e equipamentos pesados, além de serviços de infraestrutura contratados pelo município. (Mídia Max)

A Operação Máquinas de Areia foi deflagrada em 6 de agosto pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e da 7ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas. Na ocasião, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, distribuídos entre alvos localizados em Três Lagoas, Campo Grande, Terenos e Castilho, no interior paulista. Não houve, segundo as informações disponíveis sobre a operação, pedido ou determinação de prisão naquela etapa. (Ministério Público MS)

O Ministério Público afirma que a investigação apura a possível atuação de servidores públicos e empresários em um esquema relacionado à execução de contratos municipais. Entre os crimes sob investigação estão delitos licitatórios, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Os fatos permanecem em apuração e as pessoas investigadas não podem ser consideradas culpadas sem eventual condenação definitiva. (Ministério Público MS)

Justiça bloqueia veículos avaliados em cerca de R$ 2,5 milhões

O desdobramento divulgado nesta quarta-feira envolve o empresário André Luís dos Santos, conhecido como “Patrola”, citado entre os alvos da investigação. Conforme reportagem do Midiamax, aproximadamente R$ 2,5 milhões em veículos foram alcançados por bloqueio judicial. A medida patrimonial integra o conjunto de providências adotadas no âmbito das investigações e não equivale, por si só, a uma condenação. (Mídia Max)

O empresário já havia aparecido entre os alvos citados quando a operação foi deflagrada. Reportagens sobre a investigação apontam que empresas e empresários são investigados em razão de contratos destinados principalmente à locação de máquinas e à realização de serviços de infraestrutura e cascalhamento em Três Lagoas. (Capital News)

O bloqueio patrimonial acrescenta um novo componente à investigação iniciada no começo do mês. O objetivo das medidas determinadas durante uma investigação dessa natureza é preservar bens e elementos que possam ter relação com os fatos investigados enquanto Ministério Público e Justiça avançam na análise dos documentos, movimentações financeiras e demais materiais obtidos.

Contratos e aditivos ultrapassam R$ 100 milhões, segundo MPMS

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, levantamentos da investigação apontam que os contratos e respectivos aditivos analisados, no período de 2018 a 2026, ultrapassaram a marca de R$ 100 milhões. Os serviços envolviam locação e fornecimento de veículos, maquinários e equipamentos pesados, além de contratos de infraestrutura para revestimento primário no município. (Ministério Público MS)

Uma das linhas de investigação é a existência de pagamentos públicos que, segundo o MPMS, poderiam não corresponder integralmente aos serviços efetivamente executados. O órgão afirma investigar a hipótese de que essas circunstâncias teriam possibilitado desvio de recursos públicos e enriquecimento ilícito. Essas afirmações integram a tese investigativa do Ministério Público e ainda dependem do avanço das apurações e do devido processo legal. (Ministério Público MS)

A operação alcançou inclusive a Secretaria Municipal de Infraestrutura de Três Lagoas, onde foram realizadas buscas para apreensão de documentos e outros materiais. O então titular da pasta, Osmar Dias Pereira, também foi citado como alvo. À época, sua defesa declarou que ele havia sido surpreendido pela operação, negou irregularidades e ressaltou que se tratava de uma investigação preliminar, sem condenação. (Capital News)

Prefeitura decide não renovar contrato de R$ 26,5 milhões

Enquanto a investigação avança, a Prefeitura de Três Lagoas adotou uma decisão administrativa diretamente relacionada a um dos contratos associados às empresas investigadas. Nesta terça-feira (18), o Município informou que não prorrogaria o contrato de aproximadamente R$ 26,5 milhões destinado à locação de máquinas pesadas utilizadas na manutenção de ruas e estradas. (RCN67)

O contrato havia sido firmado a partir de uma licitação realizada em 2023 e tinha vencimento previsto para 17 de agosto de 2026. Segundo a Prefeitura, diante da operação conduzida pelo Ministério Público Estadual, o prefeito Cassiano Maia decidiu não realizar um novo aditivo e determinou a abertura de outro processo licitatório para assegurar a continuidade dos serviços. (RCN67)

Informações levantadas pelo Investiga MS indicam que o contrato nº 345/2023 foi originalmente firmado por cerca de R$ 23,79 milhões e, depois de aditivos, chegou a aproximadamente R$ 26,57 milhões. O acordo atendia serviços relacionados à manutenção de vias urbanas e estradas vicinais não pavimentadas, atividades consideradas importantes principalmente para áreas rurais do município. (Investiga MS)

Prefeitura afirma que quatro contratos são relacionados à investigação

Em nota oficial divulgada anteriormente, a Prefeitura de Três Lagoas afirmou que a investigação alcança quatro contratos mantidos entre o município e empresas relacionadas à Operação Máquinas de Areia. De acordo com a administração municipal, três contratos haviam sido encerrados anteriormente, enquanto o último, decorrente de processo licitatório de 2023, chegaria ao fim em 17 de agosto de 2026. (Prefeitura Três Lagoas)

Na manifestação, a Prefeitura declarou que sua gestão pauta a atuação pelo cumprimento da legislação, transparência e princípios da administração pública. O Município também afirmou confiar nas instituições e no devido processo legal, acrescentando que continuaria trabalhando normalmente enquanto aguardava os desdobramentos da investigação. (Prefeitura Três Lagoas)

Posteriormente, a administração confirmou que o contrato que ainda permanecia vigente não seria prorrogado. A abertura de uma nova licitação passa agora a ser importante para definir de que forma os serviços de máquinas pesadas utilizados na conservação de ruas e estradas serão mantidos.

Investigação ainda está em andamento

A Operação Máquinas de Areia continua em fase investigativa. Os mandados cumpridos no início de agosto permitiram a apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que podem ser utilizados pelo Ministério Público para confirmar ou afastar as hipóteses inicialmente levantadas. (RCN67)

O bloqueio de aproximadamente R$ 2,5 milhões em veículos divulgado nesta quarta-feira representa mais um desdobramento judicial, mas não significa que os investigados tenham sido condenados pelos crimes apurados. Eventuais responsabilidades individuais dependerão das provas produzidas, das manifestações das defesas e das decisões tomadas pela Justiça ao longo do processo.

Para Três Lagoas, o caso também produz consequências administrativas. Além da repercussão política da investigação envolvendo contratos públicos, o Município precisa reorganizar a contratação dos serviços de máquinas pesadas após decidir não prorrogar o acordo encerrado em 17 de agosto. A abertura de uma nova licitação, portanto, passa a ser um dos próximos capítulos administrativos paralelos à continuidade da investigação do Ministério Público.

Fontes

Midiamax — Empresário alvo da operação tem R$ 2,5 milhões em veículos bloqueados

Ministério Público de Mato Grosso do Sul — Operação Máquinas de Areia

RCN 67 — Prefeitura decide não renovar contrato de R$ 26,5 milhões

Prefeitura de Três Lagoas — Nota oficial sobre a investigação

Investiga MS — Prefeitura não aditivará contrato com empresa investigada

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