Tiago Oliva Schietti

Muita gente desiste de dar lance no consórcio por acreditar que precisa ter uma quantia alta guardada na conta antes mesmo de tentar. O empresário Tiago Oliva Schietti expressa que essa ideia afasta consorciados que poderiam antecipar a contemplação sem desembolsar nada além do que já pagam todo mês. Esse é um dos equívocos mais frequentes entre quem entra num grupo pela primeira vez.

A confusão nasce porque o consórcio costuma ser explicado de forma incompleta, como se existisse uma única maneira de ofertar um lance. Na prática, há caminhos diferentes, com exigências financeiras bem distintas entre si, e conhecer cada um deles muda a forma de planejar a contemplação.

Por que a ideia de que lance exige dinheiro guardado persiste?

O lance mais divulgado é o livre, em que o consorciado usa recursos próprios e informa o percentual que deseja oferecer sobre o valor da carta de crédito. Quem apresenta o maior percentual naquela assembleia é contemplado, o que reforça a impressão de que só quem tem capital disponível consegue competir.

Existe ainda o lance fixo, no qual a própria administradora define um percentual único para todos os interessados naquele mês. Como o valor é igual para todos, o desempate costuma acontecer por sorteio entre os participantes que ofertaram. Tiago Oliva Schietti alude que essa modalidade não exige mais dinheiro do que o livre, apenas retira a variável da estratégia.

O lance embutido muda essa lógica

Existe uma terceira via, menos conhecida, que dispensa qualquer reserva prévia: o lance embutido. Nele, o consorciado usa uma parcela do próprio crédito contratado como oferta, em vez de recursos que já teria de ter guardado.

Tiago Oliva Schietti

Tiago Oliva Schietti

Se a carta de crédito é de duzentos mil reais e o consorciado embute trinta mil como lance, ele é contemplado com um crédito líquido de cento e setenta mil reais, caso essa oferta vença a assembleia. O empresário considera que esse mecanismo costuma aparecer em conversas sobre planejamento de compra sem comprometer o caixa disponível no curto prazo.

A estratégia funciona melhor quando o valor final, já descontado o lance, ainda é suficiente para o bem que o consorciado pretende adquirir. Fora isso, o consorciado apenas antecipa a contemplação sem precisar ter economizado nada além das parcelas já previstas em contrato.

O que realmente acontece quando o lance não vence?

Outra crença que sustenta o mito da reserva obrigatória é achar que ofertar um lance e perder representa prejuízo imediato. Não é isso que ocorre segundo as regras que orientam a maioria dos grupos: o valor ofertado só é de fato utilizado se aquele lance for o vencedor da assembleia do mês.

Quando a oferta não é suficiente diante da concorrência, o consorciado simplesmente segue no grupo, sem qualquer cobrança adicional, e pode tentar novamente nas assembleias seguintes com um valor diferente. Isso vale tanto para o lance livre quanto para o embutido, já que em ambos o compromisso só se concretiza com a contemplação.

Tiago Oliva Schietti menciona que essa característica muda o cálculo de quem avalia se vale a pena participar das disputas por lance. Como não existe custo em tentar e falhar, o risco financeiro concentra-se apenas em quem já vence a assembleia e assume o compromisso.

Entender o lance muda a forma de usar o consórcio

Uma vez que a ideia de reserva obrigatória perde sustentação, o lance deixa de ser visto como recurso reservado a quem já tem dinheiro sobrando. Tiago Oliva Schietti constata que o lance passa a ser uma ferramenta de planejamento acessível a diferentes perfis de consorciado, desde que a pessoa entenda as regras do próprio grupo antes de ofertar.

Essa mudança de percepção também explica por que administradoras diferentes adotam critérios distintos para lance fixo e embutido, e por que vale a pena ler o regulamento de cada grupo com atenção antes de decidir qual caminho seguir. Ele aponta que o consórcio recompensa quem estuda as regras do próprio grupo, não apenas quem tem mais capital disponível no momento da assembleia.

 

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