Vítima teria saído escondido de casa para brincar no aterro do bairro Jupiá; amigos tentaram salvá-lo, mas não conseguiram
Uma tarde de brincadeira terminou em tragédia em Três Lagoas nesta quarta-feira (16). Rai da Silva Oliveira, de 12 anos, morreu afogado no aterro do Rio Paraná, na região do bairro Jupiá, a 323 quilômetros de Campo Grande. O menino estava na companhia de dois amigos, ambos de 13 anos, quando decidiu entrar na água em um ponto conhecido como Ponte de Ferro, área sem qualquer estrutura de monitoramento ou salva-vidas.
Como o afogamento aconteceu no bairro Jupiá
Segundo o que foi apurado, Rai teria saído de casa sem avisar a mãe, a pé, acompanhado dos dois colegas. O trio se dirigiu primeiro a um campinho no Jupiá para jogar bola e, na sequência, resolveu se refrescar no Rio Paraná, já no fim da tarde. A brincadeira parecia inofensiva até o momento em que o menino pulou de um dos pilares da ponte em direção ao rio.
Foi nesse instante que a situação mudou de figura. Os dois amigos perceberam que Rai começava a se afogar e, mesmo sem qualquer preparo para esse tipo de resgate, entraram na água na tentativa de puxá-lo de volta à margem. O esforço, no entanto, não foi suficiente diante da força da correnteza e da profundidade do trecho.
Sem conseguir salvar o colega, os dois adolescentes saíram do rio e correram para pedir ajuda nas imediações. Uma pessoa que passava pelo local acionou a polícia, que por sua vez mobilizou o Corpo de Bombeiros. A cadeia de decisões rápidas dos garotos, mesmo em pânico, foi o que permitiu que o resgate chegasse ainda na mesma tarde.
Ação do Corpo de Bombeiros nas buscas pelo corpo
Uma equipe do 5º Grupamento de Bombeiros Militar (GBM) foi acionada por volta das 15h30 daquela quarta-feira. Ao chegar ao local, os militares constataram que dois dos três adolescentes haviam conseguido sair da água por conta própria, enquanto o terceiro, Rai, permanecia submerso.
Os mergulhadores do Corpo de Bombeiros precisaram descer a cerca de três metros de profundidade para localizar a vítima. O corpo foi encontrado ainda debaixo d’água, a aproximadamente 20 metros da margem, em um trecho de correnteza mais forte do que aparenta a quem observa de fora. Ainda assim, a equipe conseguiu concluir a busca em menos de duas horas após o início do acionamento, um tempo considerado rápido para esse tipo de ocorrência em rio.
A dificuldade não terminou com a localização do corpo. O ponto onde o afogamento ocorreu é de acesso complicado, sem estrada que permita a chegada de viaturas. Por isso, os militares tiveram que fazer o translado da equipe de perícia a pé até o local exato onde a vítima foi encontrada, o que também influenciou no tempo total da operação.
Área de difícil acesso reacende alerta sobre riscos do rio
O caso reacende uma discussão recorrente em cidades banhadas por grandes rios, como é o caso de Três Lagoas às margens do Paraná: a diferença entre um ponto de lazer estruturado e um trecho de rio sem qualquer sinalização de risco. Aterros e margens não preparadas costumam esconder variações bruscas de profundidade, correnteza mais intensa em certos pontos e obstáculos submersos, fatores que dificultam até mesmo para adultos experientes perceberem o perigo a tempo.
Crianças e adolescentes, por não terem ainda o mesmo discernimento de risco que um adulto, tendem a subestimar a força da água em rios de grande volume, como o Paraná. Pular de estruturas elevadas, como pilares de pontes, agrava esse cenário porque soma o impacto da queda à dificuldade de reagir rapidamente caso a profundidade ou a correnteza sejam diferentes do esperado.
Especialistas em segurança aquática costumam reforçar que a supervisão de um adulto responsável é o fator mais determinante para evitar acidentes desse tipo, especialmente em locais sem monitoramento, como pontos de aterro às margens de rios. A orientação básica passa por evitar áreas sem sinalização, não entrar na água sozinho ou apenas na companhia de outras crianças e dar preferência a locais com infraestrutura voltada ao lazer aquático.
Caso chama atenção de moradores e reforça cuidados na temporada
A morte de Rai deve reacender, entre famílias do bairro Jupiá e de outras regiões próximas ao Rio Paraná, o cuidado redobrado com crianças e adolescentes durante os períodos mais quentes do ano, quando a procura por locais para se refrescar aumenta naturalmente. Três Lagoas conta com espaços públicos preparados para esse fim, como o Balneário Municipal, que oferece estrutura voltada à segurança dos frequentadores, ao contrário de pontos de aterro sem qualquer monitoramento.
Casos como esse costumam levar órgãos de segurança e defesa civil a reforçar campanhas de conscientização junto a escolas e comunidades, especialmente às vésperas de períodos de férias, quando o tempo livre das crianças tende a aumentar. A orientação a pais e responsáveis é sempre a mesma: conversar com os filhos sobre os riscos de áreas de rio sem monitoramento e, sempre que possível, optar por locais com infraestrutura adequada para banho.
Por ora, a Prefeitura de Três Lagoas e o Corpo de Bombeiros ainda não haviam se manifestado publicamente sobre eventuais ações preventivas na área do Jupiá até o fechamento desta reportagem, mas o caso já é assunto entre moradores da região, que cobram maior atenção a um trecho de rio historicamente utilizado por jovens como ponto de lazer informal, apesar dos riscos.
Fontes:
https://midiamax.com.br/policia/2026/crianca-morre-afogada-durante-banho-aterro-rio-parana-tres-lagoas/
https://midiamax.com.br/policia/2026/crianca-morreu-afogada-aterro-rio-parana-estava-brincando-amigos/










