Cidade que já foi sinônimo de pecuária hoje lidera as exportações do Estado e concentra as maiores operações de celulose do país
Há pouco mais de duas décadas, Três Lagoas era uma cidade do interior sul-mato-grossense que vivia em função da agropecuária e do comércio local. O cenário mudou de forma tão acelerada que hoje o município ocupa uma posição que poucos imaginavam possível: é o maior polo industrial de Mato Grosso do Sul e uma das mais importantes plataformas de exportação do Brasil. Ao completar 111 anos em junho de 2026, a cidade tem razões concretas para comemorar, mas também razões para refletir sobre o que vem por aí.
O número que melhor resume essa transformação vem da Semadesc: Três Lagoas liderou as exportações de Mato Grosso do Sul em 2025, respondendo por 27,2% de toda a balança comercial do Estado apenas nos dois primeiros meses do ano. Para uma cidade com cerca de 150 mil habitantes, isso é simplesmente extraordinário. A pergunta que muita gente faz é: como um município do interior chegou a esse ponto, e o que isso significa para quem vive e trabalha ali? Perfil News
A celulose que transformou tudo
A resposta começa nos anos 2000, quando as primeiras grandes fábricas de celulose chegaram à região. A instalação da VCP MS contribuiu para a elevação de cerca de 300% no PIB de Três Lagoas e de 13,5% no PIB do Estado, de acordo com estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas. Essa empresa virou Fibria, depois foi incorporada pela Suzano, que hoje opera duas grandes fábricas no município. Perfil News
Junto da Suzano vieram a Eldorado Brasil e a Sylvamo, cada uma trazendo não apenas empregos diretos, mas toda uma cadeia de fornecedores, prestadores de serviços e novas empresas que passaram a orbitar ao redor das gigantes. O PIB de Três Lagoas cresceu cerca de 17 vezes, passando de aproximadamente R$ 3,9 bilhões em 2010 para cerca de R$ 65,9 bilhões em 2024. Esse crescimento não ficou restrito ao papel e celulose: o comércio expandiu, o setor imobiliário aqueceu e a arrecadação municipal cresceu a ponto de a cidade superar Dourados em vários indicadores econômicos. Perfil News
A chegada de fornecedores globais reforçou ainda mais essa trajetória. O grupo internacional de tecnologia Andritz anunciou a construção de um moderno centro de serviços voltado à manutenção e atualização de equipamentos para a indústria de celulose e papel, com criação de cerca de 50 empregos diretos e 150 indiretos. Quando uma multinacional europeia decide instalar uma unidade numa cidade do interior do Brasil, é sinal claro de que o ambiente de negócios amadureceu. Andravirtual
O mercado de trabalho em números
Quem busca uma vaga em Três Lagoas hoje encontra um cenário bem diferente do que existia há dez anos. O setor exige mais qualificação, os salários cresceram e a competição por bons candidatos aumentou. Com mercado mais competitivo, empresas exigem qualificação técnica, habilidades comportamentais e adaptação às novas demandas da indústria. Radiocacula
Os números do Caged mostram que a cidade não para de gerar postos de trabalho. Três Lagoas encerrou os dois primeiros meses de 2026 com saldo positivo de 1.011 postos de trabalho com carteira assinada, de acordo com os registros do Novo Caged. Ao longo de todo o primeiro trimestre, o resultado chegou a 1.350 vagas líquidas criadas, consolidando o município entre os maiores geradores de emprego formal do estado. Atual News
Especialistas apontam que a demanda das indústrias de celulose vai muito além das linhas de produção. A expectativa para os próximos meses é de abertura de vagas principalmente em setores de apoio, como logística e manutenção industrial. Essas áreas têm ganhado destaque com a expansão das operações e a necessidade de maior eficiência. Para quem não tem formação técnica industrial, o setor de serviços também tem absorvido trabalhadores, já que o crescimento da população e da renda local alimenta uma demanda crescente por comércio, saúde e educação. Radiocacula
O que vem pela frente
A celulose continuará sendo a espinha dorsal da economia três-lagoense por muitos anos, mas novas frentes começam a ganhar forma. A citricultura já desponta como uma nova fronteira produtiva na região, com projetos de cultivo de laranja e novos investimentos privados que prometem ampliar a geração de renda e diversificar ainda mais a economia local. Perfil News
Ao mesmo tempo, a prefeitura tem apostado em inovação e tecnologia para atrair empresas de outros perfis para o município, reduzindo a dependência de um único setor. Esse movimento faz sentido: cidades que dependem de uma única commodity ficam vulneráveis às oscilações dos mercados internacionais. Diversificar é, portanto, uma questão estratégica, não apenas uma aspiração.
Aos 111 anos, Três Lagoas não é mais a mesma cidade que seus fundadores conheceram, e provavelmente não será a mesma que seus moradores conhecem hoje dentro de mais uma década. A trajetória de transformação está em curso, e quem acompanha de perto percebe que o ritmo não dá sinais de desaceleração.
Fontes: Perfil News | Atual News | Andravirtual | Rádio Caçula
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










