Yuri Silva Portela

Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, nota em sua atuação clínica que poucos temas no campo da saúde do idoso carregam tanto estigma e são tão sistematicamente evitados nas consultas médicas quanto a incontinência fecal. Essa condição, caracterizada pela perda involuntária de fezes, afeta uma parcela significativa da população idosa e tem um impacto devastador sobre a autoestima, a autonomia e a vida social de quem a vivencia. 

Nota-se que a maioria dos idosos com incontinência fecal nunca relatou a condição a nenhum profissional de saúde, convivendo com ela em silêncio por anos e organizando toda a sua vida em torno de um problema que tem tratamento disponível e eficaz. Romper esse silêncio é o primeiro e mais importante passo.

Por que a incontinência fecal é tão pouco discutida?

O constrangimento associado à incontinência fecal é de uma magnitude que supera em muito o de outras condições igualmente prevalentes na terceira idade. A perda de controle sobre uma função corporal tão intimamente ligada à privacidade e à dignidade provoca sentimentos de vergonha que levam a maioria dos pacientes a esconder o problema até mesmo dos familiares mais próximos, adiando indefinidamente a busca por ajuda médica. Esse silêncio é reforçado pela percepção equivocada de que se trata de uma consequência inevitável do envelhecimento, sobre a qual nada pode ser feito.

Do lado dos profissionais de saúde, a incontinência fecal raramente é investigada de forma proativa nas consultas de rotina, o que significa que, na ausência de uma queixa espontânea do paciente, o problema permanece invisível. Conforme aponta o doutor Yuri Silva Portela, incluir perguntas diretas sobre controle intestinal na avaliação geriátrica rotineira é uma medida simples que pode identificar casos que, de outra forma, nunca chegariam ao conhecimento do médico, abrindo caminho para intervenções que transformam profundamente a vida do paciente.

Yuri Silva Portela

Yuri Silva Portela

Quais são as causas mais comuns de incontinência fecal no idoso?

As causas da incontinência fecal na terceira idade são variadas e frequentemente combinadas. O enfraquecimento dos músculos do esfíncter anal, que ocorre de forma progressiva com o envelhecimento e é agravado por lesões obstétricas em mulheres e por procedimentos cirúrgicos anorretais em ambos os sexos, é um dos mecanismos mais comuns. Diarreias crônicas de qualquer origem podem superar a capacidade de continência de um esfíncter já enfraquecido, assim como a impactação fecal, situação em que fezes muito endurecidas bloqueiam o reto e permitem o escape de material líquido ao seu redor.

Condições neurológicas como diabetes, Parkinson, demência e sequelas de AVC comprometem os mecanismos neurológicos que coordenam o controle intestinal, contribuindo para a incontinência de forma independente do estado do esfíncter. O doutor Yuri Silva Portela esclarece que a identificação da causa específica em cada paciente é fundamental para orientar o tratamento adequado, pois intervenções eficazes para um tipo de incontinência podem ser ineficazes ou até prejudiciais para outro.

Quais são as opções de tratamento disponíveis?

O tratamento da incontinência fecal no idoso é individualizado e pode incluir modificações dietéticas, uso de agentes que regulam a consistência das fezes, programas de reeducação intestinal, exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico sob orientação de fisioterapeuta especializado, biofeedback e, em casos selecionados, intervenções cirúrgicas minimamente invasivas. A maioria dos pacientes obtém melhora significativa com abordagens conservadoras, sem necessidade de procedimentos complexos, desde que o tratamento seja iniciado com base em uma avaliação precisa da causa e da gravidade da condição.

O suporte psicológico é parte indissociável do tratamento, pois o impacto emocional da incontinência fecal é intenso e precisa ser abordado de forma direta e empática. O doutor Yuri Silva Portela e a equipe do Humaniza Sertão compreendem que tratar a incontinência fecal no idoso é devolver a ele uma dimensão de dignidade e liberdade que o problema havia silenciosamente roubado. Falar sobre o tema com o geriatra não é motivo de vergonha: é um ato de cuidado consigo mesmo que pode transformar a qualidade de vida de forma profunda e duradoura.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

What's your reaction?

Excited
0
Happy
0
In Love
0
Not Sure
0
Silly
0

Você também pode gostar

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais em:Notícias