Franco Douglas Lima Dias

O ceratocone ainda é uma doença pouco conhecida fora dos consultórios de oftalmologia, mas sua presença entre crianças e jovens em idade escolar é mais frequente do que se imagina. A condição, que provoca um afinamento progressivo da córnea e distorce a visão de forma crescente, avança silenciosamente nos estágios iniciais e raramente é identificada sem uma triagem especializada. No Brasil, onde a triagem visual sistemática nas escolas públicas ainda não é uma prática estabelecida, crianças com ceratocone chegam frequentemente à adolescência sem diagnóstico.

O Projeto Visão em Dia, iniciativa do Instituto Visão Conectada criada por Franco Douglas Lima Dias, já identificou casos da doença em alunos da rede pública da região do Alto Tietê. Na ação realizada na APAE de Ferraz de Vasconcelos, dois diagnósticos de ceratocone foram feitos em crianças que jamais haviam passado por qualquer avaliação oftalmológica. Para Franco Douglas Lima Dias, que desenvolveu a condição por falta de diagnóstico precoce, encontrar esses casos é o resultado mais significativo que o programa pode produzir.

O que é o ceratocone e como ele afeta a visão?

O ceratocone é uma condição degenerativa da córnea, a camada transparente que recobre a parte frontal do olho. Em vez de manter sua forma arredondada, a córnea vai progressivamente assumindo um formato cônico, o que distorce a passagem da luz e compromete a nitidez da visão. Nos estágios iniciais, os sintomas são inespecíficos: visão levemente embaçada, sensibilidade à luz e dificuldade para enxergar à noite. Com a progressão da doença, a distorção visual se intensifica e pode se tornar significativa.

A condição costuma se manifestar entre a adolescência e o início da vida adulta, mas há registros de casos em crianças mais novas. O diagnóstico preciso exige exames específicos, como a topografia corneana, que mapeiam a curvatura da córnea e identificam alterações sutis antes que a doença avance.

Quais são os sinais de alerta para pais e professores?

Os primeiros sinais do ceratocone são facilmente confundidos com miopia ou astigmatismo comum, o que torna o diagnóstico precoce dependente de triagem especializada. Pais e professores podem observar alguns comportamentos que merecem atenção: a criança aperta os olhos com frequência para tentar enxergar melhor, reclama de visão embaçada mesmo usando óculos convencionais, apresenta sensibilidade intensa à luz ou reporta dificuldade para enxergar à noite.

Franco Douglas Lima Dias

Franco Douglas Lima Dias

Na maioria dos casos, no entanto, a criança não consegue descrever o que sente com precisão. Ela não sabe que enxerga de forma diferente do que deveria. Por isso, a triagem especializada, como a realizada pelo Projeto Visão em Dia, é o mecanismo mais eficaz para identificar a condição antes que avance.

Por que o diagnóstico precoce é determinante para o ceratocone?

O ceratocone é uma condição progressiva. Quanto mais cedo o diagnóstico chega, mais opções de tratamento estão disponíveis e maior é a chance de frear a progressão da doença antes que os danos se tornem irreversíveis. O crosslinking corneano, procedimento que fortalece as fibras da córnea, é significativamente mais eficaz nos estágios iniciais da condição. Quando o diagnóstico chega tarde, a córnea já se deformou além do ponto em que esse procedimento pode produzir o mesmo resultado.

Franco Douglas Lima Dias desenvolveu ceratocone em um estágio avançado porque o diagnóstico não chegou a tempo. Essa experiência moldou diretamente a forma como o Projeto Visão em Dia estrutura suas triagens, priorizando a identificação de condições que vão além da acuidade visual básica e que exigem equipamentos específicos para ser encontradas.

Como o Projeto Visão em Dia identifica o ceratocone nas escolas?

A triagem realizada pelo Projeto Visão em Dia inclui avaliações que permitem detectar alterações corneanas compatíveis com ceratocone, algo que triagens básicas de acuidade visual não conseguem identificar. A equipe do Instituto Visão Conectada chega às escolas com os equipamentos necessários para esse nível de avaliação, o que explica por que o programa consegue encontrar casos que o sistema convencional não havia detectado.

Conforme aponta a trajetória do programa, Franco Douglas Lima Dias estruturou o modelo de triagem com essa capacidade desde o início, a partir da compreensão de que uma triagem que não identifica os casos mais complexos deixa exatamente as crianças que mais precisam sem diagnóstico.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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