Nos últimos dias um caso específico envolvendo a forma como animais mortos nas rodovias do Mato Grosso do Sul têm sido tratados vem ganhando destaque e gerando debates sobre responsabilidades e práticas de conservação ambiental. A situação começou a ser questionada depois de uma denúncia formal que desencadeou uma investigação civil por parte do Ministério Público local, motivada por apontamentos de um importante órgão ambiental federal.
Segundo o que foi levantado, em trechos sob concessão a empresas privadas os restos de animais que sofreram atropelamentos estariam sendo enterrados no próprio local dos acidentes, em vez de serem recolhidos e encaminhados para unidades de tratamento ou estudo. A prática, que tem sido justificada sob a justificativa de reduzir riscos à segurança viária, gerou incredulidade entre moradores e usuários das rodovias, que questionam a falta de transparência e de critérios técnicos no procedimento adotado pelas concessionárias responsáveis.
A controvérsia começou quando autoridades ambientais constataram que os planos de mitigação para acidentes envolvendo fauna previstos no contrato de concessão pareciam insuficientes para lidar com as diversas situações reais encontradas nas estradas. A crítica central é que simplesmente enterrar os animais mortos pode esconder a real extensão do problema e deixar de oferecer dados úteis para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes.
A resposta das empresas envolvidas tem sido no sentido de que a prática de remoção de carcaças e seu sepultamento in loco está associada à redução de atração de predadores ao longo das faixas de tráfego. Animais necrófagos, ao se reunirem em grandes números, podem aumentar o risco de acidentes ao aproximarem-se da pista e prejudicarem a visibilidade dos motoristas. Esse argumento ressalta a complexidade e os múltiplos fatores envolvidos quando se trata de gestão de fauna em ambientes rodoviários.
Do ponto de vista ambiental, especialistas e programas estaduais já têm apontado para a necessidade de abordagens mais amplas. Em Mato Grosso do Sul iniciativas como monitoramento sistemático e métodos de prevenção de atropelamentos são discutidos por grupos de trabalho e agências reguladoras, com foco em reduzir o impacto das rodovias sobre a fauna local e incentivar práticas mais sustentáveis.
Dados sobre a mortalidade de animais nas estradas brasileiras apontam números alarmantes, que vão além dos casos pontuais, e sugerem que milhões de animais são vítimas de colisões todos os anos. A fragmentação de habitats e a grande extensão da malha rodoviária contribuem para tornar esse um desafio constante para gestores públicos, concessionárias e organizações de conservação.
Propostas voltadas à mitigação desses impactos incluem desde a criação de passagens de fauna e cercas condutoras que direcionam os animais para áreas seguras, até campanhas educativas para motoristas e políticas que incentivem o resgate e reabilitação de animais feridos. Em algumas regiões o uso de tecnologia e ferramentas avançadas de monitoramento tem sido testado com resultados promissores.
O episódio em Mato Grosso do Sul acendeu um debate mais amplo sobre como equilibrar a segurança no trânsito e a conservação da vida silvestre em um país com uma das maiores biodiversidades do planeta. A investigação em curso representa uma oportunidade de revisar práticas, estabelecer critérios claros e, quem sabe, estimular modelos que possam ser replicados em outras partes do Brasil.
Autor: Staux Umeran










